Poucos assuntos despertam mais divergência de pensamentos e ações do que o consumo de carne bovina.
Mesmo ativistas seriamente engajados em ações em prol da sustentabilidade da floresta amazônica, conscientes de que 80% das terras desmatadas é ocupada pela pecuária, consideram desnecessário ter que abrir mão deste prazer de ordem cultural indiscutivelmente arraigado em nossa sociedade.
Tais ativistas levam em consideração que o meio ambiente é sistêmico, razão pela qual essa mudança hábito, além de não ser nada fácil de ser implementada, aumentaria consideravelmente a demanda por grãos, o que, mesmo nos tempos atuais de descoberta do genoma da soja, ainda envolve algumas incertezas científicas. E que não nos esqueçamos dos impactos sociais de tal alteração, já que, sim, vaqueiros, frigoríficos e distribuidores de carne também fazem parte do ciclo econômico deste país.
Por isso gosto das propostas que envolvem alternativas menos radicais, como as que permitem algum prazer ao consumidor sem que seja necessário execrá-lo do mundo dos “evoluídos” e, em paralelo, e aos poucos, permitam que educação ambiental vá se estabelecendo na mente humana.
Gosto ainda mais quando essas alternativas não geram restrições de consumo ou ingresso territoriais que entopem os nossos tribunais superiores com os chamados conflitos de competência. E, mais ainda, e antes de tudo, quando a mudança de hábitos começa a ser feita na própria casa.
Neste aspecto merece aplauso a Lei do Município de São Paulo n 15.120/2010, que veio a proibir a aquisição de carne bovina pelas entidades da administração direta e indireta do Município de São Paulo oriunda de gado criado em áreas onde tenha ocorrido desmatamento irregular ou em terras indígenas invadidas. A carne também não poderá conter, em sua cadeia produtiva, desde a origem, a utilização de trabalho infantil e/ou escravo. Em suma, exigir-se-á, o certificado de procedência.
E para nós, reles mortais, que não somos da administração pública? Temos que exigir na embalagem o selo da Certificação de Produção Responsável na Cadeia Bovina da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), ou outro que o substitua.
Eis aí um exemplo, que esperamos seja vitorioso, da sapiência da utilização dos conceitos de escala de ação.
Ou, melhor, da regrinha básica de que cada um deve fazer o seu próprio dever de casa.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
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